Caso Orelha: morte brutal de cão comunitário choca o Brasil e expõe falhas na responsabilização de adolescentes

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Introdução

A morte violenta do cachorrinho Orelha, ocorrida na Praia Brava, no litoral de Santa Catarina, passou a ser tratada como um dos casos mais emblemáticos de maus-tratos a animais no país em 2026. A comoção nacional foi gerada após a confirmação de que o cão comunitário, conhecido e cuidado por moradores da região, foi atacado por um grupo de adolescentes no dia 4 de janeiro.

Inicialmente, Orelha foi socorrido em estado gravíssimo e encaminhado a uma clínica veterinária. No entanto, devido à extensão e à severidade dos ferimentos, a eutanásia precisou ser realizada no dia 5 de janeiro, como medida humanitária para cessar o sofrimento do animal.

Desde então, o caso passou a ser acompanhado de perto pelas autoridades e pela sociedade civil, acumulando novos desdobramentos ao longo do mês de janeiro.


O ataque ao cão comunitário

Orelha, um cachorro comunitário com aproximadamente 10 anos de idade, vivia livremente na Praia Brava e era alimentado e protegido por moradores e comerciantes locais. Segundo as investigações, quatro adolescentes foram identificados como autores das agressões, que resultaram em ferimentos incompatíveis com a sobrevivência do animal.


Suspeita de coação de testemunhas

Posteriormente, familiares dos adolescentes passaram a ser investigados sob a suspeita de coagir testemunhas e tentar interferir no andamento da apuração policial. Essas ações teriam ocorrido após a repercussão do caso ganhar dimensão nacional.


Atuação da Polícia Civil

Diante da ampla mobilização pública, a Polícia Civil de Santa Catarina instaurou inquérito formal e, no dia 26 de janeiro, foi deflagrada uma operação para cumprimento de mandados de busca e apreensão.

Durante a ação, celulares e dispositivos eletrônicos foram recolhidos, com o objetivo de aprofundar a análise das comunicações entre os envolvidos. Além disso, mais de 20 pessoas foram ouvidas, e aproximadamente 72 horas de imagens captadas por 14 câmeras públicas e privadas passaram a ser analisadas.


Quem são os adultos investigados

Embora os nomes não tenham sido divulgados oficialmente, a Polícia Civil informou que, entre os parentes investigados, estariam dois empresários e um advogado. Todos foram indiciados pelo crime de coação, ainda que nenhuma prisão tenha sido efetuada até o momento.


Viagem internacional dos adolescentes

Segundo informações confirmadas pelas autoridades, dois dos adolescentes envolvidos encontram-se nos Estados Unidos, em viagem à Disney que já estava programada antes da repercussão do caso.


Outro ataque sob investigação

Além da morte de Orelha, um segundo episódio de violência passou a ser apurado. Trata-se de uma agressão contra um cachorro conhecido como Caramelo, que teria sido atacado pelo mesmo grupo, mas conseguiu fugir e sobreviver.


Adolescentes podem ser responsabilizados?

Sim. Embora menores de 18 anos sejam inimputáveis penalmente, conforme a legislação brasileira, medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) podem ser aplicadas, dependendo da conclusão das investigações.


O que é um cão comunitário?

O cão ou gato comunitário é aquele que, mesmo sem um tutor individual, estabelece vínculos com uma comunidade específica, sendo alimentado, protegido e, muitas vezes, vacinado e castrado coletivamente.

Após a repercussão do caso Orelha, foi aprovada em Santa Catarina a Lei nº 19.726, que institui a Política Estadual de Proteção e Reconhecimento do Cão e Gato Comunitário, reforçando que esses animais devem ser protegidos tanto pela sociedade quanto pelo Poder Público.


Resumo

A morte do cão comunitário Orelha, após um ataque cometido por adolescentes na Praia Brava (SC), provocou comoção nacional e desencadeou investigações policiais, indiciamentos por coação e mudanças legislativas. O caso reacendeu o debate sobre responsabilização, proteção animal e o papel da sociedade na defesa dos animais comunitários.

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