Monumento Rodoviário Belvedere, na Serra das Araras, completa décadas de abandono à margem da Via Dutra

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Ao longo de décadas, o Monumento Rodoviário Belvedere, localizado na Serra das Araras, vem sendo silenciosamente esquecido às margens de uma das rodovias mais movimentadas do país. Projetado para simbolizar o avanço da infraestrutura rodoviária nacional, o espaço passou a conviver com o abandono, apesar de seu inegável valor histórico, arquitetônico e artístico.

Atualmente, o local é lembrado mais pela deterioração visível do que pela importância que um dia lhe foi atribuída.

A chegada à Serra das Araras e o encontro com a memória

A subida da Serra das Araras costuma ser descrita como um desafio físico e mental. Durante o percurso, o esforço é intensificado por trechos íngremes, ventos constantes e longas distâncias. Ainda assim, a paisagem é frequentemente apontada como compensação, tornando a chegada ao topo uma experiência marcante.

À medida que o trajeto se aproxima do ponto mais alto, a torre do belvedere passa a ser avistada, surgindo como um marco de outra época, quase esquecido pelo tempo.

Onde o monumento está localizado e por que ele importa

O Monumento Rodoviário Belvedere ocupa uma área aproximada de 54 mil metros quadrados e foi concebido para marcar o início da chamada “Era Rodoviária do Brasil”, ainda na década de 1920.

📍 Localização:
O conjunto está situado no km 80 da antiga Estrada Rio–São Paulo, hoje às margens da Rodovia Presidente Dutra, na pista de descida da Serra das Araras, no município de Piraí (RJ), nas proximidades do km 225 da Dutra.

Por sua concepção, o espaço foi planejado como ponto de parada, mirante e área de convivência, reforçando a ideia de integração nacional.

Um breve histórico marcado por avanços e abandono

A construção foi iniciada em 18 de maio de 1926, por iniciativa do Touring Club do Brasil, com projeto do arquiteto Rafael Galvão e colaboração dos engenheiros Chagas Dória e Cristiane News. A inauguração ocorreu em 1938, quando o local passou a funcionar como restaurante, mirante, estacionamento e torre com farol.

Com o passar dos anos, entretanto, o uso foi sendo reduzido, até que o espaço fosse progressivamente fechado. Em 1978, ocorreu um fechamento parcial. Já em 1990, o monumento foi reconhecido como patrimônio cultural. Posteriormente, em 2015, uma ação do Ministério Público Federal buscou garantir sua restauração. Em 2020, a Justiça Federal determinou que a União promovesse a recuperação do conjunto.

Arte e patrimônio: Portinari e Frenhofer no Belvedere

O valor do monumento não se limita à arquitetura. Obras de grande relevância artística foram incorporadas ao espaço ao longo de sua concepção.

No interior, painéis assinados por Cândido Portinari, com temas ligados à construção de estradas e ao trabalho social, chegaram a ser instalados. Atualmente, essas obras se encontram no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, após serem removidas para restauração.

Externamente, oito painéis em baixo-relevo, criados pelo escultor francês Albert Frenhofer, permanecem no local. As esculturas retratam, de forma sequencial, o processo histórico de ocupação, transporte e integração do território brasileiro.

Temas retratados nos baixos-relevos

  • Povos indígenas e a selva
  • A miscigenação e o sertão
  • Transporte rural tradicional
  • Bandeirantes e expedições
  • Relação entre campo e cidade
  • Meios de transporte humanos
  • Diligências históricas
  • A chegada do automóvel e das estradas

O estado atual: deterioração e vandalismo

Atualmente, o contraste entre a grandiosidade do projeto original e o abandono é evidente. Vidros quebrados, azulejos danificados, pisos originais desgastados e fontes desativadas compõem o cenário.

Além disso, relatos de furtos e remoções de materiais metálicos foram registrados. Internamente, os antigos salões e áreas de recepção encontram-se vazios, com sinais claros de depredação.

Potencial turístico e urgência de preservação

A Rodovia Presidente Dutra registra mais de 40 mil veículos por dia, e o trecho da Serra das Araras apresenta baixa velocidade média e vista privilegiada. Diante disso, o belvedere poderia ser reativado como ponto turístico, cultural e educativo, com capacidade para receber visitantes, eventos e serviços de apoio.

Entretanto, sem ações efetivas de conservação, corre-se o risco de perda definitiva de elementos arquitetônicos e artísticos de valor irreparável.

Preservar para lembrar e cobrar

Percorrer o monumento hoje é vivenciar uma experiência ambígua: beleza e abandono caminham lado a lado. A presença silenciosa da construção à margem da rodovia reforça uma constatação importante: o patrimônio histórico só sobrevive quando é lembrado, valorizado e protegido.

A preservação depende de visibilidade, mobilização social e políticas públicas eficazes.

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